“Agrada-me puxar a corda do Ideal”

§- As astúcias da memória não poupam esforços em nos frustrar. “Esquecer é não ter sido”, diz o narrador d’A confissão de Lúcio. Como não desejo, portanto, que aquilo que pensei não tenha sido, resolvi escrever aqui; como artifício para não ser escravo da minha falta de memória. Não se incomode então se no percurso torno pública a minha estupidez. Mas – não minto – espero que, reparando na minha, você tome nota igualmente da sua.

§- É que “agrada-me puxar a corda do Ideal”, apesar de ultimamente puxar outras coisas também. Quando li esse poema do Mallarmé pela primeira vez – “O Sineiro”, o título – compreendi que nós platônicos e platonistas estamos fadados a enforcarmo-nos com a corda de nosso próprio Ideal. Não que necessariamente lutamos a sangue e suor por ele, mas a corda aperta, querendo ou não.

§- Só que não escreverei para desafogá-la. É boa e urgente a necessidade de se aprender a gritar com a corda no pescoço.

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Autor: Vasil

Estudante de Letras, fascinado por crítica cultural, leitor de coisas velhas e mofadas, péssimo em resumir-se.

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