Noite braspolitana [Conto]:

DEPERO
[Arranha-céus e túneis, Fortunato Depero] Continue Lendo “Noite braspolitana [Conto]:”

Anúncios

Ensaio sobre o Amor em tempos de Meme [Conto]:

acrílica e frustração sobre papel_odyr bernardi

[Acrílica e frustração sobre papel, Odyr Bernardi]

I

Check-in

§- A velha Praça dos Dragões. Eu era aqui entre a textura metálica das estátuas, o mármore e o granito do calçamento, a sombra das copas verdes – elas cobriam a vista do céu e dos prédios –, mais o asfalto e os carros, abandonados ou não, também encoberto pelos cabelos de plantas várias. Parecia noite sempre, mesmo quando raiava a manhã. A arquitetura dos prédios – inscritos no branco sem betume da praça – ainda hoje me comove. Parece que não envelheceram, ao contrário de mim. São fachadas de um século e meio, ninhos avarandados no segundo andar, cujas portas de vidros multicores hoje não mais se pode ver, senão na memória de quem já os viu, donde se podia guardar por cima das copas das árvores e contemplar as alamedas e os declives e socalcos que levavam pro mar de Bráspolis. Por essas casas eu andei com o que julgava ser as melhores companhias. Nós já passamos uma tarde – nós – a não muito longe daqui, muito antes de eu começar a trabalhar na redação da Voizis. Éramos no jardim do teatro, sem dever nada ao mundo porque era eu e porque era tu. Já estive na Praça dos Dragões muitas vezes. Coração de Bráspolis. Mas agora essa visita é de caráter menos nobre. Hoje eu estou aqui para comprar fumo. Continue Lendo “Ensaio sobre o Amor em tempos de Meme [Conto]:”

JUSTIÇA E CATARSE: DUAS DEFINIÇÕES

naom_593c57729386a

§- Sempre que sofremos alguma sorte de dano, seja provocado por coisa, por pessoas, ou por pessoas manejando coisas, inevitavelmente somos tomados por um sentimento de desajuste. “As coisas não deveriam ser assim. Há algo fora de seu lugar”. Imaginemos a cena típica do Chaves acertando o Quico, que grita pela intervenção de Dona Florinda, que por sua vez acerta o Seu Madruga. Nós rimos, mas um riso meio desajustado. Conheço pessoas que não conseguem assistir ao programa pela repetição desse esquema narrativo. Nesse caso, o desajuste é maior do que o riso (porque, sim, eu creio que ele persiste). O que entra em jogo aqui é o desarranjo como elemento constituinte da Injustiça. Se nenhum empirismo absolutista guia nosso processo de pensamento, então fica fácil deduzir, a partir disso, que o arranjo, o ajuste seria o elemento constituinte de seu oposto: a Justiça.

Continue Lendo “JUSTIÇA E CATARSE: DUAS DEFINIÇÕES”